Não, ninguém está falando de homens grossos e peludos que não
tomam banho e arrotam à mesa. Sim, certos padrões de vaidade se impuseram, certa
feminilização fez-se útil. O homem médio ocidental era, até 25 anos atrás, uma
coisa muito mal acabada. Isso é uma coisa. Outra é substituí-lo por criaturas
emasculadas de abdômen definido.
Não, não estamos pleiteando o direito irrestrito à barriga
de chope, ao desleixo, à falta de higiene. Sim, é sempre melhor um homem ser
tão bonito quanto a natureza o permitir. Isso é uma coisa. Outra é acreditar
que a atenção obsessiva emprestada a aparência física não é coisa de maricotas.
Por que é.
Quem tem que trocar de roupa vinte vezes é mulher, quem tem
que perder 20 minutos na frente do espelho é mulher e quem precisa de 20 pares
de sapato é mulher. Um homem que se preze se sai muitíssimo bem com uns quatro
pares, não gasta mais do que 03 minutos na frente do espelho e raramente precisa
desistir de uma roupa para optar por outra. Isso não quer dizer que ele saia
de casa sempre desalinhado ou com sapatos inconvenientes. Quer dizer que ele
tem a cabeça em outro lugar que não ali, e isso é profundamente masculino.
O que se espera é que os homens ajam como homens: que sejam
educados, não afetados, que sejam cultos quando possível, jamais pedantes, que
sejam inteligentes, nunca maquiavélicos. Quando as mulheres brincam do perigoso
jogo de fazerem uma mal a outra, elas realmente compreendem que aquilo não é
importante de verdade. Quando um homem se enfia nessa senda, ele invariavelmente
compreende mal o jogo. Um dos motivos dessa desgraça é que o elemento, na falta
de outros homens que o acompanhem na aventura, se cerca de mulheres que, mais
dia menos dia, o tratarão não como tratam uma as outras – mas como tratariam
a um veado – afinal de contas, ele não é gay e se porta como uma mulherzinha.
E um homem que é tratado como veado pelas mulheres é, sem exceções, tomado por
veado pelos seus pares. Isso vale para os homossexuais também. Madame Satã era
muito mais homem que muito machão que andou por aí. Mas também era muito mais
homem que muito homem moderno, heterossexual, de abdômen definido e que vota
no PSDB.
Fábio Assumpção é bonito? Ora, lógico que é. Mas ele é um homem
propriamente dito? Mesmo sendo heterossexual, ele é o protótipo do homem sem
bolas que não pode falar firme, pisar firme e pegar firme sem parecer ridículo.
Toda vez que um desses rapazes da nova geração de galãs é convocado a parecer
um homem, tudo perde a naturalidade. Essa turma fica bem num mostruário, mas
pessimamente mal na vida. Bogart jamais precisou de um ar angelical, de um olhar
rebelde ou de um jogo completo de cremes.
Ninguém quer homens insensíveis. Mas ninguém precisa de garotos
emulando estereótipos femininos os mais superficiais. O camarada não fica sensível
e ainda se comporta como uma suburbana falsa, cínica e meio galinha. Isso não
é descobrir o próprio lado feminino. Isso é descobrir o próprio lado gay, dar-se
mal com ele, não se aperceber que gosta mesmo é de macho e acabar liberando
a empregadinha interior que todo mundo tem dentro de si.
Por isso, garotos, por favor: tomem sua linha. Ir a academia
pode ser ótimo, desde que você não pense em passar lá para ficar mais bonito.
Não se preocupe em ser bonito. Preocupe-se em gostar de mulher. Ou resolva virar
uma logo.
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