Quem não lembra do primeiro amor na adolescência, mesmo que
tenha sido unilateral, ou seja, não correspondido.
Entre as fases do desenvolvimento, o período de latência, conhecido
também como Clube do Bolinha para os meninos e Clube da Luluzinha para as meninas,
em alusão aos dois famosos personagens de histórias em quadrinhos caracteriza-se
pela negação de meninos e meninas pelo sexo oposto, compreendido entre os 6
e 10 anos de idade e que retrata bem como nesta fase os sexos não se misturam.
Logo após este período, no inicio da adolescência, onde a produção
hormonal começa a gerar modificações no corpo, começa também o interesse pela
descoberta do sexo oposto. Meninos e meninas passam a apresentar interesse afetivo,
buscando uma aproximação. Esse interesse é sobretudo, baseado em ideais de beleza
e popularidade do individuo em questão, dentro dos padrões estabelecidos pela
sociedade e grupo em que vivem.
Nesta idade, os rituais de conquista costumam ser bastante
diversificados e por vezes, atrapalhados pela falta de maturidade e experiência.
Até há pouco tempo, quem tomava a iniciativa do ritual de conquista
era o menino que, mesmo sabendo pelos colegas do interesse da menina, ainda
assim era algo que precisava ser trabalhado, as vezes levando algum tempo.
O temor da rejeição, ou seja, de não ser aceito como pretendente
e levar um “fora”, determinava uma estratégia de ação de conquista absolutamente
mirabolante, com planos por vezes de alta complexidade, visando a garantir o
máximo de chance de nada dar errado.
È claro que, em face de imensas variáveis, os planos nunca
conseguiam ser colocados em prática na integra, o que causava grande ansiedade
por parte do seu idealizador. Aliás, a ansiedade sempre esteve presente nas
ações de conquista do publico adolescente, quase sempre causada pelo temor da
rejeição. Não raro, sintomas somáticos são descritos por adolescentes, por ocasião
do ato da conquista em si, como sudorese, calafrios e diarréia.
Nos tempos atuais, essa diferença entre meninos e meninas parece
ter deixado de existir, podendo até mesmo ter havido uma inversão, em relação
as meninas estarem tomando mais iniciativa que os meninos nas táticas de conquista,
influenciado talvez pelo maior apelo dos meios de comunicação, que massificam
a cada minuto rituais de erotismo e romantismo.
O comportamento dos adolescentes também apresentou mudanças
consideráveis nos últimos anos, principalmente em relação a falta de ligação
afetiva duradoura o que acarreta uma vivencia de relações fúteis e efêmeras.
Esse comportamento também traz uma maior exposição ao sexo com maior numero
de parceiro o que sempre traduz um risco maior para DST e gravidez não planejada.
Dizem que o saudosismo é o principal sintoma da decadência,
mas qual pessoa, homem ou mulher, com mais de trinta anos, não sente falta do
romantismo do namoro, muitas vezes sem a presença do sexo, mas com aquele gostinho
especial da descoberta diária. Bons tempos aqueles.
Darci L. D. Janarelli
Ginecologista