O exercício da sexualidade desvinculada de restrições é uma
utopia perseguida pelos seres humanos há muitos séculos, posto que o sexo sempre
esteve mediado por muitas instâncias, sendo que a mais conhecida delas, até
os dias de hoje, é o casamento, ou qualquer forma de relação estável, como o
namoro.
Entretanto, no mundo inteiro, observa-se um a tendência cada
vez maior entre os jovens, e até mesmo entre os adultos, em pensar que as carícias
físicas e a sexualidade em si, podem prescindir de um comprometimento maior
ou de um vínculo permanente e “legitimador” de sua prática. As pessoas vivenciam
relações fugazes de várias espécies e que podem evoluir para um relacionamento
mais sólido ou não, dependendo da vontade de ambos.
Ficar junto pode ou não envolver uma relação sexual e os técnicos
de saúde, religiosos, pais e mães, freqüentemente se perguntam qual é o limite
disso tudo e onde é que isso irá parar. Moralistas de plantão anunciam o “fim
das famílias” e o reinado da imoralidade. O Governo Bush financia programas
que estimulam a abstinência sexual dos jovens americanos como forma de prevenção
ao HIV, DSTS e gravidez precoce. Mas será que é mesmo por este caminho que devemos
seguir a fim de reduzir danos e sermos mais felizes?
Tendo a pensar que não e confesso que sou simpático à idéia
de relações fugazes em determinados períodos da vida, sem que isso comprometa
a formação de vínculos, fato que, na nossa cultura, quase sempre se concretiza
de uma forma ou outra. Se uma relação estável é o único caminho para que tenhamos
sexo, isso acaba por gerar conflitos desnecessários, amores “construídos” de
forma hipócrita cujo efeito será de apenas legitimar uma relação sexual. Nos
Estados Unidos já se observou que jovens abstinentes praticam formas alternativas
de sexo, como o oral e o anal, com a desvantagem de desconhecerem, devido ao
conteúdo dos programas de abstinência, formas seguras e prazerosas de se fazer
sexo.
Tesão e amor, nem sempre andam juntos. Ter um relacionamento
fixo envolve muitas coisas além da excitação sexual. Existem contas a pagar,
um projeto de vida a dois, filhos, patrimônio e tudo o mais. Mas às vezes queremos
apenas sexo e o nosso objeto de desejo não necessariamente será a mãe ou o pai
dos nossos filhos. Historicamente os homens apelavam pra as prostitutas para
“aliviar” o seu lado. Mas com as mulheres reivindicando o seu papel na sociedade,
o prazer deixa de ser algo exclusivo ao universo masculino. Elas dizem: “eu
também fico excitada e às vezes sinto falta de sexo, embora não tenha um relacionamento
fixo talvez não o queira no momento”.
Porém, honestidade é fundamental. Para que se evite conflitos
emocionais desnecessários, é importantes que cada parceiro possa ser íntegro
um com o outro, vivendo o romance e as fantasias que cada um constrói sobre
o outro e deixando que aquela “química” misteriosa que une os casais possa agir
ou não nesse sentido e aí, quem sabe, se perceba que aquela transa evoluiu para
“algo mais”, ou seja, um relacionamento bacana e cheio de tesão na qual o sexo
é um elemento a mais e não a razão pelo qual o casal está junto.
Nesse sentido, ficar, transar, namorar e casar, enfim, as múltiplas formas de
relacionamento entre as pessoas, podem ser coisas diferentes, mas interligadas
com o desejo, o momento e os objetivos de vida na qual uma ou mais pessoas se
propõe e quando todos estão conscientes daquilo que querem, fica bem mais fácil
achar um caminho que contemple as expectativas criadas e conduza à realização
amorosa em seus mais amplos .aspectos e idealizações.
Claudio Cesar Dutra
Sexólogo