Nos últimos anos, seguimentos da indústria farmacêutica têm
se dedicado à pesquisa de substâncias capazes de interferir com a libido e o
desejo sexual, no sentido de beneficiar as pessoas portadoras de disfunção do
desejo, bem como da manutenção da potência eretiva masculina.
Em 1998, após várias pesquisas, foi lançado o Viagra, o qual
revolucionou o tratamento para os distúrbios eretivos. Interessante saber que
durante as fases de pesquisas, o Sildenafil estava sendo testado como medicação
anti-hipertensiva sem bons resultados e observou-se em um grande número de homens
que faziam uso do medicamento um efeito colateral interessante. Foi relatado
que durante o tratamento, os homens apresentavam boa ereção em virtude da medicação,
à qual, a partir de então passou a ser pesquisada como medicação via oral capaz
de proporcionar ereção adequada em homens com disfunção erétil.
Desde então, fármacos vem sendo desenvolvidos para este fim,
já que até este momento as drogas existentes para os distúrbios eretivos eram
injetáveis (Papaverina e Prostaglandina), as quais eram administradas diretamente
nos corpos cavernosos do pênis, propiciando uma ereção instantânea, mas com
efeitos indesejáveis como o Priapismo (ereção dolorosa e duradoura).
Após o Viagra, surgiram outros como o Levitra (Valdenafil)
e o Cialis (Tadalafila), com características semelhantes. Ao contrário das drogas
injetáveis, que produzem ereção instantânea sem necessidade do desejo sexual,
essas drogas de uso oral, precisam obrigatoriamente do estímulo sexual para
produzirem o efeito desejado.
Outro efeito importante observado nestas medicações é a diminuição
do período refratário, ou seja, o período entre a resolução do orgasmo até o
início de nova incursão sexual.
Pesquisas mais recentes tem buscado respostas em nosso perfil hormonal. Sabe-se
que a testosterona, hormônio masculino, é um dos maiores responsáveis pelo desejo
sexual, em homens e mulheres, e que o baixo nível deste hormônio no organismo,
levaria a um desinteresse sexual progressivo. Isso explicaria o fato da diminuição
da libido em homens e mulheres após a quinta ou sexta década de vida. Ainda
não existe consenso entre os especialistas sobre qual a dose ideal para reposição
da testosterona em mulheres e tampouco os efeitos adversos a longo prazo. Č
sabido que o aumento de pêlos, aumento das taxas de colesterol e do aumento
de certos tipos de câncer podem estar associados ao uso da testosterona em mulher.
Outra droga também em pesquisa com resultados animadores, principalmente
no que tange o aumento do desejo na mulher é o Cloridrato de Bupropiona que
é um antidepressivo de ação central e que faz aumentar a quantidade de noradrenalina
e dopamina, neurotransmissores responsáveis pelas sensações ligadas ao prazer
sexual.
Pesquisas americanas tem mostrado que mulheres com disfunção
do desejo e com relacionamentos amorosos saudáveis, tiveram aumento do desejo
e da excitação sexual, após o uso da Bupropiona.
Para terminar, uma nova droga experimental denominada PT-141,
apelidada de “spray do desejo”, promete revolucionar os tratamentos de disfunção
da libido.Ao contrário de todas as drogas até agora, que agem perifericamente,
o PT-141 age no nível central, numa região do hipotálamo, de onde partem as
respostas aos estímulos sexuais. Se as pesquisas comprovarem a sua segurança
e eficácia, podemos ter em breve uma substancia capaz de, com uma simples borrifada
nasal, deixar qualquer um pronto para o sexo de maneira quase que instantânea.
Enquanto esta maravilha não estiver disponível, temos que nos
valer da farmacologia atualmente em uso, lembrando sempre que só um médico pode
orientar e prescrever a medicação mais adequada e de forma segura.
Darci L. D. Janarelli
Ginecologista