A maioria das mulheres experimenta algumas alterações físicas
e emocionais nos dias que antecedem as menstruações. Em cerca de 25% delas,
essas mudanças são de tal ordem que as levam a procurar tratamento médico. Essa
situação é conhecida clinicamente como “síndrome da tensão pré-menstrual” —
que é um conjunto de sintomas e sinais que se manifestam na segunda fase do
ciclo menstrual, e desaparecem rapidamente com o início do fluxo sangüíneo.
A mulher que sofre desse distúrbio pode ter dor de cabeça,
inchaço abdominal, aumento no volume das mamas (que se tornam sensíveis e dolorosas),
náuseas, vômitos, prisão de ventre ou diarréia. Mas o que caracteriza a síndrome
da tensão pré-menstrual são as mudanças no humor e no comportamento da mulher.
Estudos demonstram que a incidência dessas mudanças é bem mais alta na fase
que antecede a menstruação e durante o período menstrual.
Nesse período ocorrem com maior freqüência os seguintes fenômenos:
alterações no estado de humor (depressão, sentimentos instáveis, irritabilidade
e ansiedade); distúrbios de comportamento, motivados pelas mudanças de humor
(abuso de álcool e drogas, crimes violentos, acidentes e suicídios); e, doenças
presumivelmente relacionadas com alterações de humor (internação em enfermarias
clínicas cirúrgicas ou psiquiátricas, enxaquecas, distúrbios gastrintestinais
e recaídas de episódios esquizofrênicos).
Pesquisas indicam que o nível máximo de violência, doenças
e acidentes que envolvem mulheres ocorre, em geral, durante os oito dias consecutivos
do ciclo menstrual: os quatro pré e os quatro correspondentes à menstruação.
O mesmo se verifica, com menor intensidade, durante a ovulação.
A maioria das mulheres que sofre de tensão pré-menstrual tem
sua angústia, ou depressão, aumentada acima de seus níveis habituais. Algumas
conseguem conviver com esses sentimentos sem alterar de maneira significativa
seu padrão rotineiro de comportamento.
Outras mulheres passam a manifestar agressividade ou comportamento
auto-destrutivo. Ao externarem sua raiva, podem atacar e provocar outras pessoas.
Ou, ao contrário, expor-se a acidentes, às vezes com risco de vida. Mulheres
criativas, por outro lado, muitas vezes produzem literatura ou pinturas que
expressam sua angústia e depressão.
Existe uma correlação inversa entre esses distúrbios do comportamento
e o nível de estrogênio. A mais alta incidência de distúrbios emocionais durante
o ciclo menstrual ocorre precisamente na fase em que o nível de estrogênio é
baixo. Mesmo o pequeno pico de alterações de comportamento, no meio do ciclo,
acontece simultaneamente a uma pequena queda do nível desse hormônio.
Poucas mulheres afirmam sentir-se mais dispostas, menos deprimidas
e mais produtivas durante esse período. Para algumas mulheres, esse período
de distúrbios emocionais e de comportamento coincide também com o pico de desejo
sexual. Se bem que o aumento do desejo sexual pode ser resultado do período
de menos propensão à gravidez.
De qualquer forma, a tensão pré-menstrual não deixa de variar
conforme padrões culturais. Ou seja, embora os sintomas fisiológicos existam,
a importância que essa síndrome adquire no meio social varia muito. As mulheres
argentinas dizem que lá não existe tensão pré-menstrual. Isso porque, lá essa
síndrome não adquire tamanha importância como em outras culturas, onde a explicação
para o mau humor feminino, por exemplo, é explicado pelo ciclo menstrual.
Jonatas Dornelles
Antropólogo